domingo, 1 de dezembro de 2019
Café
domingo, 24 de novembro de 2019
Fracasso.
domingo, 17 de novembro de 2019
Homens comuns não olham para o céu
domingo, 10 de novembro de 2019
O efeito do malfeito é o defeito perfeito sem ter feito acordo com o sujeito
domingo, 3 de novembro de 2019
Rogério, o laboratório do céu não tem estrelas.
domingo, 27 de outubro de 2019
Padeiros do silêncio
Quantos poetas seguem silenciosos entre os passantes da rua?
Quantos miram os olhos na lua ensaiando o não dito?
Em uma multidão, quantos dão à escuridão o palco e escrito de suas palavras?
Quantas estrófes presas no regurgito, quantos versos sufocados no grito que nunca rasga a garganta?
Quantas Clarices, quantos Drummonds, quantos Alcântaras, sem emitir o som, da âncora de suas palavras tão necessárias?
Escondidos atrás de uniformes, de necessidade, de saúde, de trabalho e educação?
Quantos Bukowskis deixaram de escrever pelo caos que rege suas rotinas, pela falta de gasolina ou por não terem pago a conta de luz?
Quantos Nerudas seguem na rua usando surradas Bermudas e pedindo um trocado?
Padeiros travestidos no silêncio da roda que não para de girar.
Engolindo seco métrica e rima, rolando morro acima suas sinas, empurrando seus fardos inadaptados ao mercado.
No tempo em que a palavra é mais arma que afago, quantos Saramagos são calados pela necessidade? E se ao invés de mais armas e quartéis, tivéssemos mais Rachéis de Queiróz?
E se cada quina do mundo fosse um "Café Java" ou um "restaurante Iracema"? Imagine a cena!
Se se multiplicassem os Antônio Sales por todos os lugares, se houvesse em cada beco um Lívio Barreto?
Como seriam os ares? Hoje tão poluídos de blasfêmia e difamação vaga.
O fato junto à história atesta, a arte não cessa, ela está entre nós! Eles estão!
A míngua da poesia é a sua não declamação. Mas ela ainda segue escrita até achar outra língua de quem como com um choque dê ao coração novo batimento.
Como foragidos e anônimos, detentos com armas de transformação da alma, todos os dias, eles passam por entre nós, despercebidos, silenciados pela mão invisível, mirando o intangível, alargando o limite da razão.
Esperando o dia em que presenciarão novamente o rito que se conclamará na convocação:
"Padeiros do mundo, uni-vos!"
O mundo precisa de pão!
Júlio César
domingo, 20 de outubro de 2019
Eles não soltam a mão de ninguém!
...Seja bruto ou líquido é mais-valia
Imposto, obrigatório ou de livre vontade
Conquistado e expropriado
Certo ou errado, indepedente
Sempre há força em excedente
Daquilo que ainda chamam dignidade
Do boi morto no prato diário
Estado é a violência sutil
E porco, como somos, comemos tudo
Crendo abundante sermos
Ele é amigo-irmão do capital febril
Andam de mãos dadas e piscam nos olhando
Vendem tudo e não tem valor nenhum
Querem nossa própria percepção desapropriada
Do nosso espaço e do nosso tempo
Afinal, gostamos dos cacarecos e dejetos axiomáticos
Lá onde os tentáculos desses dois polvos ainda vão
Leviatã que ainda se expande e cresce
Com nossa energia e força voraz
Não é à toa que crianças brincam de Slime
Estética amorfa dos dois irmãos e amigos
A violência do extremo oposto que o fazem borbulhar
Para nos pegar sempre desapercebidos
E eles sorriem gargalhando
Aquilo que no fundo é nosso lento suicídio...
Jayme Mathias