domingo, 12 de novembro de 2017

Universos paralelos

O universo permite a autocriação de microcosmos, cada qual com suas próprias leis. Estas leis não estão necessariamente interligadas, possuem independência e estrutura singulares. O único vínculo entre esses microcosmos possíveis é com a abertura do todo universal. Aqui nos deparamos com a relatividade do tempo, do espaço, com os universos possíveis.

A abertura da autocriação de microcosmos distintos permitiu as grandes metrópoles capitalistas produzirem os espaços fantasmagóricos. No interior desses ambientes vislumbramos a efetivação da relatividade einsteiniana. Resta-nos indagar: até que ponto os espaços fantasmagóricos influenciaram a relatividade física, ou a relatividade teórica contribuiu na constituição fantasmagórica?

Outro atributo proveniente da abertura cósmica se manifesta na produção da linguagem pragmática e seu jogo linguístico. As estruturas lógicas linguísticas somente tornam-se possíveis dentro da abertura microcósmica do universo.

Todas essas estruturas somente são possíveis devido a abertura material do cosmos. O que leva a matéria a se estruturar em suas singularidades cósmicas? O Ser é aquilo que permite tal associação.

Por Paulo Victor Albuquerque

domingo, 5 de novembro de 2017

No love

Ser poeta sem falar de amor.
É retirar a carne da dieta do predador.
É ser constante aluno, nunca preceptor.
Não sei falar de amor.
Seja pelo clichê, ou pelos porquês que sempre circundam as paixões.

Falar de amor exige a dor de perder, de não ser correspondido, de sentir a rejeição ou do constante perigo de cair aquém de alguém que não te quer.
Falar de amor é falar de sofrer, não por si,  mas por alguém que é tão imperfeito quanto você.
"É ferida que dói" e se vê!
É desejo sempre latente, mas também atitude de inconsequente.
Eu prefiro a dor daquilo que consigo ver.
Prefiro a razão. Não dar vazão para aquilo que até a alma é capaz de corroer.
Amor foi feito para ser sentido não escrito.
Permaneço então um poeta vegano
seguindo a dieta de restrição evitando  uma alimentação estabanada.
Agora percebo que é tão verdade o que disse antes que do amor falei, falei e não disse nada.

Por Júlio César Barbosa
vivisseccao.blogspot.com

domingo, 29 de outubro de 2017

Opaco

Implodir
Como o dentro que adentro
Implodir
Como o oco enquanto alento
Implodir
Como eco que professo
Implodir
Como o nexo que confesso
Implodir
Como o silêncio!

Por Jayme Mathias Netto
Vivisseccao.blogspot.com

domingo, 22 de outubro de 2017

Sem freio.

O tempo ta
                 rolando
                             ladeira
                                         abaixo
____________________________o
Quem segura o tempo?  O pensamento
                                                             °
O pingo do tempo consome as eras, risca o firmamento, engole Kronos, lambuza o argumento.

Paulo Victor Albuquerque

domingo, 15 de outubro de 2017

Sentimento em 4 estrofes

Cego, sigo a saga do sensível.
Certo de que o fim me é alheio.
Disperso, no espaço, escasso.
Como um porco no campo de centeio.

Destruo, destrono, desvirtuo tudo aquilo que me apoia.
Equilíbro-me entre a sanidade e a paranóia.
Torço para que a clarabóia não suporte.
O peso das frustrações de um passado latente.

Chamo pela chama falsa de uma vida plena.
Clamo pela erva vil que envenena minha mente.
Deslizo, liso pela borda do abismo.
Deduzo o relevante, uso o incoerente.

A mente, mente num último recurso.
Mostra-me um futuro distante,  contente.
Mentiras, em tiras de romance barato.
Descarrego a última bala do pente.

Por Júlio César Barbosa
vivisseccao.blogspot.com

domingo, 8 de outubro de 2017

O Plano

Antes

Durante

Depois

São planos

O antes que já foi

O durante que já passa

O depois que nunca vem 

Até que renasça 

Como antes também

Planos são fumaças

Que fogo não tem


Por Jayme Mathias 


domingo, 1 de outubro de 2017

Uma sombra que não é minha

As crianças são seres extraordinários, sempre nos despertam para o novo. Recentemente me deparei com um vídeo em que uma garotinha se espantava com sua própria sombra. O espanto socrático nunca foi levado tão a sério como por essas criaturas. Tal fato nos revela como o espanto não se limita àquilo que nos é externo, ele também se produz com tudo o que é projetado por nosso corpo. Parece que as coisas que emanam de nosso corpo não são produto de nossa consciência, daí o espanto. Na verdade não podemos nos surpreender com aquilo que nos pertence, que temos o controle de criação. Nos espantamos sim (!), com o desconhecido, com o fabuloso ou o estranho.
A criança se espanta com o novo. O que ela admira não é a última novidade em modelo de celular, antes é a existência do aparelho de comunicação a distância, é a invenção do “celular” e não o seu tipo ou marca. O que ela produz brincando não lhe espanta, mas ela traz para dentro de seu jogo todos os objetos de sua admiração.
Para surgir o espanto faz-se necessário a distância. Enquanto escrevo esse texto ele é coisa minha, outras vezes não. Com a distância temporal nos espantamos com aquilo que produzimos, ela se torna algo alheio, pertencente ao mundo, detentor de vida própria. O espanto é o reconhecimento do Ser que não está em nós, é o vislumbramento da superioridade da vida que não nos pertence, é o despertar de todas as coisas em sua magnitude. A criança se espanta com a vida do Ser.

Paulo Victor Albuquerque
vivisseccao.blogspot.com