PROcurei temas, dilemas, dúvidas,aporias
CRASso vácuo criativo deixado pela microscopia do terror
STIgmas que tão cedo serão esquecidos
NEIxente, cria, como provavelmente Krenak diria:
"Você não tem que achar utilidade em tudo."
Júlio César
PROcurei temas, dilemas, dúvidas,aporias
CRASso vácuo criativo deixado pela microscopia do terror
STIgmas que tão cedo serão esquecidos
NEIxente, cria, como provavelmente Krenak diria:
"Você não tem que achar utilidade em tudo."
Júlio César
por vias dúbias
num segundo me clarifico
num errar do tempo que é meu amigo
que faço ser mais alto que o tempo que medito
quando medito sobre o tempo
que o tempo pára quando medito
que não há mais tempo
que suficiente seja
que o tempo encurta quando me dilacero
que o tempo desacelera quando acelero
que por vias curtas
num segundo me intensifico
num borrar do tempo, meu amigo
que posso ser mais alto que o tempo que medito
que o tempo passa e memória acaba
que o tempo voa e o futuro me povoa
que o tempo volta e meia me consome
que não há tempo para a preguiça
que o tempo se sente e não se tem
que a idade parece que é desse jeito também
que por vias turvas
num segundo me repito
num rio do tempo, meu ofício
que devo ser mais alto que o tempo que medito
Jayme Mathias Netto
Como iniciar uma escrita que seja permeada por potências de vida? Isso soa tão difícil ao estarmos imersos em afetos tristes... fico à espreita de encontros com corpos que potencializem a vida...
Deixei-me habitar pelas inúmeras forças e intensidades que me atravessam durante uma aula, uma conversa, um brincar, uma leitura. Precisei reinventar-me perante a este cenário, onde as paredes de casa presenciam muito mais coisas do que antes, paredes que se tornam também local de labor, paredes que não somente acolhem e aconchegam durante o descanso de um dia longo vivido “lá fora”. Paredes que hoje nos separam de nós mesmos, em um caso singular de saúde pública, questão de vida ou morte, e tudo que perpassa essa ideia de viver e morrer.
Uma busca incessante de agarrar provisoriamente alguns dos movimentos que me capturaram em meio a escritas, informações, imagens, e que me escapam com sua força mobilizadora e arrebatadora. Onde marcas são deixadas umas por cima de outras, marcas pequenas, grandes, rachaduras, infiltrações, sulcos e porosidades que me habitam e coexistem. Justapostas, sem uma ordem a priori. Coexistência de tempos e atualizações de memórias. Estando à espreita do que pode acontecer na produção deste tear artesanal descontínuo chamado vida.
Relações de forças e intensidades que pedem passagem e atravessam o corpo criando potências. Pode ser um afeto, que nos toca, perturba, abala... São processos onde participam diversos componentes que se contagiam, que se compõem. Como uma maçã, que foi arremessada por um galho em sua maturidade, e ao cair no chão, intensidades a atravessam, a arrebatam. Diversos componentes, forças e corpos a atravessam em um estado sinérgico... mudando seu corpo, tornando-a outra, quem sabe, semente...
Me tornei paseandera, recolhi fragmentos, me tornei estrangeira de mim, criei espaços ainda desconhecidos. E nessa viagem subjetiva fui me compondo com diferentes paisagens de mim mesma, sem volta, sem permanência...
Marcela Bautista Nuñez
O doce orvalho das birras de minha meninice
Rapidamente se transformou em gotas gélidas na maturidade
Fazendo-me ter saudade dos tempos de pueril tolice
Desejando retroceder o relógio voltando noutra idade
Do dejejum da manhã e preocupação simples em o que assistir
Agora o turbilhão constante de pensamentos inenarráveis
Transfiguram-me em um ser duvidoso e confuso quanto ao por vir
E é initeligível o farfalhar violento desses dizeres inefáveis
Jean Sousa Pinto
Sua existência provada como uma faca crava em nossos corações. Ora, como se já não nos bastasse a baixeza da nossa mediocridade intelectual para com o sussurro das folhas e dos pássaros.
Mas o sofrimento aqui é vento, sopra forte e isento. Que até parece acalento, mas enchem reservatórios de lágrimas e de suor, em plena noite de frio entregue ao relento.
Ecologia dos doentes, frente a terra plana dos dementes e o meu corpo que sente a singela conexão com o pó. Uma dor de dente me acomete, adiante de mais um ente querido que adoece, o que é isso?! Pensa o jovem enquanto adormece.
Mas que complacente, o meu corpo, que teima em lembrar-me que és pó, puro pó.
Falo aqui do meu ócio, que desintegrou os meus ossos e me pôs em meu lugar...
Noite fria do sertão estrelado, nebulosas no céu e eu penso firme enciumado: que a via láctea tem uma escada, ao qual nos leva da água, ferro, prata, ouro à glória do espaço-tempo.
E nem mesmo à vontade, maldade, amor e bondade, escapam a atração da verdade, que nos leva ao encontro de uma nave, que do alvorecer ao crepúsculo de nossos tempos, nos oferece viagem num murmúrio quase que sem vontade: é tempo de voar.
Repetirei na vantagem, que escapa à mim e à idade - estão certos, há tanto tempo que nem mesmo a relatividade esteve tão à vontade pra dizer: da luz ao pó.
Luiz Tiago Soares