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domingo, 23 de setembro de 2018
Uma nova ideia velha
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domingo, 20 de maio de 2018
Algo que não estava escrito.
Escrevo para os afortunados, aqueles planadores dos confins do mundo
Escrevo pois sei que o sinal de minhas ondas são surfadas na imensidão
Tsunami atômica, fótons de luz
No timbre de minhas ideias eu sou a interseção
Vibração quântica transpassada pelo nada
Escrevo para os anônimos, aqueles acolhidos pela máscara do incognoscível
Escrevo pois sei que sua identidade subjaz à solidão
Paráfrase do esquecimento, autonomia da negação
O capítulo da minha vida quem escreve é o absurdo
Transeuntes undergrounds do outro lado do muro
Escrevo para os invisíveis, aqueles cujos holofotes estão aquém de suas cabeças
Escrevo pois sei que jamais serão vistos por todos que têm olhos
Penumbra do entendimento, esclerose múltipla da criação
Entre as fendas da matéria há um espaço em construção
Ser é ser percebido, para eles não
Escrevo para ninguém, aquela coisa alguma de fora
Escrevo pois sei que não me darão ouvidos
Sons estridentes, lapsos de memória
Suspiram em mim burburios do aquém
Entre eles não há quem se julgue alguém
Por Paulo Victor de Albuquerque Silva
domingo, 18 de março de 2018
Menu do dia
Quando escrevemos afetamos alguém. Esse alguém pode ser eu que me afeto. Meu próprio texto me afeta, as regras da minha língua me afetam, a necessidade de pensar dentro de uma lógica linguística me afeta. Depois de escrever olho para dentro do vaso sanitário e vejo se está mais consistente, pastoso, a cor, se parece mimeticamente com outra coisa. Isso me faz lembrar a fase anal do desenvolvimento freudiano em que eu espero o aval da minha mãe ao corroborar ou não com aquilo que sai de mim. Para Freud essa etapa da infância é decisiva à nossa produção no futuro. Se elogiado, mais produção, se rejeitado, enclausuramento. Acho, ou melhor penso - pois meu professor Carlos Dália me disse que eu penso e não acho - que as pessoas de hoje acreditam que suas fezes são maravilhosas, tendo em vista a quantidade de excremento que falam. O que o Freud não percebeu é que o ato de defecar não se restringe nem permanece na vida da privada. Existe o esgoto e ele é público. A multidão olha para a fossa reprovando-a ou não.
Antes de querer mergulhar no tipo de excremento que é exaltado pelos grandes papais e mamães sociais, que tão bem conhecemos como: burguês, homem, branco, europeu, cristão, hetero, etc. Quero que você olhe para dentro do vaso e repare em que tipo de merda você cultiva.
Sei que meu texto está escorrendo para um lado que parece fugir do tema inicialmente levantado, mas isso depende do meu sistema digestivo. O que sai de mim depende muito mais do que eu consumo do que da minha vontade.
Hoje, vejo que meu texto está mais pastoso e um tanto esverdeado.
Paulo Victor Albuquerque
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