Mostrando postagens com marcador imanência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imanência. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de julho de 2018

Julho do leitor: Amor e palavras proibidas

O efeito do ópio começou no instante da consciência começar a fantasiar sobre sua boceta, jogada ao lado de sua cama, contendo instrumentos abundantes. Toda minha concepção de belo começou a se refazer. Minha crença desfeita. Meu rosto sem expressões e logo deduzo: a linguagem é errônea ao tentar entender a beleza. A linguagem não cumpre a significação da benevolência dessa súcuba. Se, porventura, viro na direção de seus olhos, percebo uma harmonia nos seus lábios excitantes e avermelhados, nos seus olhos em êxtase quando chocam com os meus e no calor em que nenhuma criatura sabe medir ou reter. Quando me vê, não sabe sobre seu poder perante meu corpo. Um mero homem perturbado. Loucura ocasionada pela beleza transcendental dessa moça catita. Traço planos e ideias para seus regaços. Nunca ouvira palavras descritas tão convenientes a esta moça. Quando me adentro na sua parte mais poderosa e íntima, onde tudo acontece, entrego-me ao turbilhão dos prazeres divinos e exuberantes, cobiço por mais, desejo tê-la no meu membro mais sutil e apetecível, julgo cada movimento de sua boceta único e conduzindo objetos de diversos tipos. Últimos suspiros prazerosos. Chamo-o assim. Deleite humano, gozo angelical. Eis o ponto em que tocamos o céu, recuperando nossas asas e elevando-se a um andar superior à imanência humana.

Por Eric Vieira
vivisseccao.blogspot.com

domingo, 30 de abril de 2017

Daimon

Pensando nos textos anteriores, ia publicar uma poesia, mas desisti. Fui tocado por algumas ideias, fui tocado pelo próprio corpo que se expressou em textos de Paulo e Júlio. Se somos mônadas, nossas janelas estão escancaradas. Saltou-me um júbilo expressivo. De repente eu estava fértil, parindo, brotando. Coisas escapuliam, palavras, imagens, ideias, memórias... Um sentimento. De repente soou meu daimon: “na imanência não há um fora”. Se pensarmos, a ideia, de fato, brota de dentro. Para onde? Para dentro, para adentrarmos no vivo. E o vivo quase nunca aparece em vida, quando aparece somos finalmente tocados, instigados ao “mais”. A vida ímpar pulsa e sai do banal. Mas não sai como uma ilusão da linguagem que picota, transcende, encaixota o espírito num fora qualquer que comprime nosso corpo e pára nossa ideia dia após dia, pensando em mundos possíveis, negando o único que vive. Ilusão. Baixo. Trivial. O Não. O que me ocorreu foi o contrário. O Sim. O próprio corpo pare porque acompanha a mente em uma ideia e transfere para um corpo que é texto nesse momento. Através de outros partos também em texto. O texto vivo é uma ideia que do próprio texto escapa, mas ao próprio texto volta. Faz ideia e é ideia enquanto corpo num movimento único. Saída e entrada sem rumo, em si, juntos, leve. A imanência é chapada e altamente fértil. É a conexão de tudo, cheia de buracos, forças que desconhecemos. Puxa a filosofia para dentro. Desencaixa o dentro para fora na medida em que é expressão. Um texto escrito ou dito é a palavra que força e é forçada por ideias. Só há fora porque sai de um externo vazio triste e adentra nas forças que se comprimem para dizer e criar potencialmente. Exprimir e ter uma ideia é expandir possibilidades de novas ideias. Jamais excludente, o que brota é multíplice, para parirmos de novo. Algo que se abre cada vez que diz sim à vida. E foi esse próprio texto que fez-se como um gozo de um momento vivo!

Por Jayme Mathias Netto
Outrora.net
jaymemathiasnetto.blogspot.com