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domingo, 10 de junho de 2018

Poeira cósmica.

“Uma das lições que a era hitlerista nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente”, afirmaram Adorno e Horkheimer no texto “Contra os que têm respostas para tudo”. Com isso queriam sugerir o quanto alguns intelectuais, com sua extrema inteligência, não foram capazes de perceber a iminente ascensão do governo hitlerista ao poder. O ocidente e sua soberba intelectual, com a crença na exatidão de suas ciências humanas, evocava os grandes estudiosos da época para garantir a impossibilidade do fascismo na europa. As certezas intelectuais de nosso tempo são cegas, pondo à margem tudo aquilo que escapa aos seus planos como sendo inumano, afinal as rotas estão claras como a luz do dia, Aufklarung!

Há latente nos “espíritos superiores” a crença numa objetivação de suas abstrações racionais e lógicas que arrastam a materialidade de sua concretude à projeções-fantasmas. O espírito altera a natureza, deixa sua marca, rastros humanos de nossa perdição. O que eles esquecem é que, como um filho, a matéria tem seus caprichos, suas nuances e singularidades. A crença na evolução do espírito se entrelaça a ideia de que o universo também encontra-se em um processo de evolução. A crença no progresso da natureza manifesta a fé num Espírito superior que guia a história universal.

Para que ninguém fique triste preferimos assegurar que todas as explosões cósmicas, energias radioativas, choques planetários, o vácuo espacial, conspiraram de forma engajada para a formação planejada de sujeitos de espírito superior que iriam trazer ao mundo a magnífica civilização européia, mais um exemplo de evolução espacial. “Hitler era contra o espírito e anti-humano. Mas há um espírito que é também anti-humano: sua marca é a superioridade bem informada.” Afirmam os autores judeus que sofreram as atrocidades cósmicas evolutivas do nazismo alemão. No Brasil, o progresso ontológico de milhares de anos produziu seres que deixam a via-láctea e o grande Espírito extasiados: os bolsominions. Eles são o novo suspiro do itinerário fascista europeu. 

Por Paulo Victor de Albuquerque Silva.

domingo, 12 de novembro de 2017

Universos paralelos

O universo permite a autocriação de microcosmos, cada qual com suas próprias leis. Estas leis não estão necessariamente interligadas, possuem independência e estrutura singulares. O único vínculo entre esses microcosmos possíveis é com a abertura do todo universal. Aqui nos deparamos com a relatividade do tempo, do espaço, com os universos possíveis.

A abertura da autocriação de microcosmos distintos permitiu as grandes metrópoles capitalistas produzirem os espaços fantasmagóricos. No interior desses ambientes vislumbramos a efetivação da relatividade einsteiniana. Resta-nos indagar: até que ponto os espaços fantasmagóricos influenciaram a relatividade física, ou a relatividade teórica contribuiu na constituição fantasmagórica?

Outro atributo proveniente da abertura cósmica se manifesta na produção da linguagem pragmática e seu jogo linguístico. As estruturas lógicas linguísticas somente tornam-se possíveis dentro da abertura microcósmica do universo.

Todas essas estruturas somente são possíveis devido a abertura material do cosmos. O que leva a matéria a se estruturar em suas singularidades cósmicas? O Ser é aquilo que permite tal associação.

Por Paulo Victor Albuquerque