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domingo, 12 de agosto de 2018

Releituras (a)gosto: A guerra dos Fonsecas

Fonseca, general experiente de inúmeras guerras, que, como todo ser vivo, encontrou vitórias e derrotas ao longo de suas batalhas. No auge dos seus quarenta e poucos anos já passou por diversas pelejas orquestradas pelo destino: possuiu duas famílias, incontáveis amores, metros de cabelos cortados, bigode sempre afiado. De todas suas vivências nada se compara ao campo de batalha. Nele o corpo se presta a um estado limite entre sua constituição e a fissura, mutilação. Não há momento mais severo, mais engajador. A trepidação da metralhadora se propaga em suas células, repetição acelerada que lhe traz o prazer sexual. O choque do tiro, da luz, da bomba, do inimigo inesperado, tudo pulsa num campo de tensões.
Aí você lendo esse texto, criando as imagens do Fonseca em sua mente dentro do lugar de combate, relacionando sua imaginação com algum filme que já assistiu ou coisa semelhante. Você consegue envolver seu corpo com esse texto mais do que o Fonseca com o campo de batalha? Não. O empenho do corpo dentro do combate é completo, a tensão dos músculos, o estalo dos ossos, o ranger dos dentes, o estômago virado.
Acho que foi na primeira quinta-feira do ano passado: Fonseca estava em um novo conflito, tudo normal, corpos dilacerados, córregos de sangue, o velho cheiro de suor e morte, mas algo estava estranho, o nosso general assistia todo o espetáculo da técnica do mesmo modo como presenciava o jantar em casa, as reuniões no quartel, o coito com seus amores. Sabe o que é isso Fonseca? O tédio. Agora sim leitor, não há mais diferença entre sua imaginação e o campo de batalha do novo Fonseca, entre o seu dia, sua vida, e a de mais ninguém. Se o prazer de viver está na luta, e se tudo agora é mais do mesmo, por que continuar na guerra? É na ausência do prazer que a falta de sentido do existir nos aparece. E haverá um dia em sua vida que eu retornarei para narrar o seu desespero também.

Paulo Victor Albuquerque
vivisseccao.blogspot.com

domingo, 10 de setembro de 2017

A guerra dos Fonsecas

Fonseca, general experiente de inúmeras guerras, que como todo ser vivo, encontrou vitórias e derrotas ao longo de suas batalhas. No auge dos seus quarenta e poucos anos já passou por diversas pelejas orquestradas pelo destino: possuiu duas famílias, incontáveis amores, metros de cabelos cortados, bigode sempre afiado. De todas suas vivências nada se compara ao campo de batalha. Nele o corpo se presta a um estado limite entre sua constituição e a fissura, mutilação. Não há momento mais severo, mais engajador. A trepidação da metralhadora se propaga em suas células, repetição acelerada que lhe traz o prazer sexual. O choque do tiro, da luz, da bomba, do inimigo inesperado, tudo pulsa num campo de tensões.
Aí você lendo esse texto, criando as imagens do Fonseca em sua mente dentro do lugar de combate, relacionando sua imaginação com algum filme que já assistiu ou coisa semelhante. Você consegue envolver seu corpo com esse texto mais do que o Fonseca com o campo de batalha? Não. O empenho do corpo dentro do combate é completo, a tensão dos músculos, o estalo dos ossos, o ranger dos dentes, o estômago virado.
Acho que foi na primeira quinta-feira do ano passado: Fonseca estava em um novo conflito, tudo normal, corpos dilacerados, córregos de sangue, o velho cheiro de suor e morte, mas algo estava estranho, o nosso general assistia todo o espetáculo da técnica do mesmo modo como presenciava o jantar em casa, as reuniões no quartel, o coito com seus amores. Sabe o que é isso Fonseca? O tédio. Agora sim leitor, não há mais diferença entre sua imaginação e o campo de batalha do novo Fonseca, entre o seu dia, sua vida, e a de mais ninguém. Se o prazer de viver está na luta, e se tudo agora é mais do mesmo, por que continuar na guerra? É na ausência do prazer que a falta de sentido do existir nos aparece. E haverá um dia em sua vida que eu retornarei para narrar o seu desespero também.

Paulo Victor Albuquerque
vivisseccao.blogspot.com

domingo, 21 de maio de 2017

Destino e Adaptação

Ajustado e adaptado à forma de minha vida vulgar e inapta, de prontidão e em sufoco na contramão.
Eu sufoco para enformar com a minha vida aquilo que julgo sem.
Será só isso sem vida ou eu também?

Quantas vezes eu inadaptado e posto a me adaptar?
Quantas vezes adaptando-se não me adapto?
Quantas mais vezes não me adapto menos vida tenho?

Sou eu mesmo ajustado e adaptado à minha forma de vida vulgar e inapta, sufocado, sufocando a mim mesmo para enformar de mim aquilo que julgo sem.

Mas será só isso sem mim ou eu também?
Quantas vezes sem mim estou?
Quantas vezes tão comigo e não consigo?
Quão mais vezes sem mim estou comigo?

O destino pai de qualquer desatino. Será ele fruto de meu desejo?

Se sim como posso saber o que quero, se meu querer pode ser tão profundo, deixando outros quereres menores, que não posso de lado deixar? Eu desespero!
E eu os desejo mais que aquele no fundo de minha alma a planejar? E quero!

O desejo e a adaptação quando entram de dadas as mãos, para prever não dá.
Menos ainda quando estão separados, parecem mais duas palavras inventadas, para se adaptar.
Ou ainda, que sufoca quem as usa, sem ser torta, para a alma melhorar.
Nunca se ajusta à minha forma inapta e de prontidão também!
Sempre na contramão das palavras falar.

Mas basta as modificar para na vida mudar o sufoco que não convém.
Essa é a esperança daquele que amansa.
Com destinos e palavras na balança.
No sufoco que convém à liberdade que se lança!

Trecho de Outrora: crônica de uns dias perdidos
Por Jayme Mathias
Outrora.net