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domingo, 10 de dezembro de 2017

Muníficos homens que ainda há

Já amanheço ...
o dia farto de alvura, ínclito

Antes inundado em negrume do dia
que anoiteço, insólito

À espera de um otimismo
interino

Do ponto de vista de quem tem
medo...

Mas no meu horizonte
é escolha

é em minha vitalidade que
essas ideias aferrolham...

No meu âmago
eu sou régio

A minha esperança
eu balizei como meu projeto...

E os a mim iguais, penso
“que mal há?”

Tem gente que quer é amor
e a rara alacridade do dadivar...

Por Jayme Mathias Netto

domingo, 19 de novembro de 2017

Filosofada

No solipsismo contemporâneo. Cada ente na sua casca. Cada carapaça protegida em nome de uma pérola de uma ostra morta. O ente doente de tanta especificidade.
Nas cidades, a pressa de uma dobra tão difícil quanto rara. Os sinos na igreja anunciam que uma dobra é só um som para os solipsistas. Eles, cheios de experiências, bradam por um eu que não lhes pertence.
O ente do ente, doente de solipsismo, porque é especialista em contemplar seu próprio umbigo, apequenou tudo. Diz ser capaz de ter amigos, mas como isso seria possível se só a mônada lhe resta como abrigo?
Sem janela e sem portas, o pobre coitado. Isso não lhe cabe, porque tocar no ser como mais que a totalidade dos entes é coisa pra quem sempre gosta de dar uma filosofada, para quem rasga a carapaça e arregaça as mônadas, como fizera com as mangas da camisa na coragem.
Rasga os entes e a especialidade com rebeldia e só ai é que nasce o filósofo, com pérolas e argumentos, com vontade de vida. Um alfaiate que rasga e costura carapaças especialistas. Cria sua cordialidade e sempre renasce como um possível dual, trial, múltiplice em máscaras que vão e voltam do ser. É um vírus, não uma doença. O drible que se faz em si e no outro, dribla porque vai e volta sem fronteira. Em vez de ficar na doença do "cada um no seu quadrado" é convalescente e abre a totalidade. Sua tarefa é leve porque desliza nas ostras abertas, quebra carapaças e desvaloriza as pérolas especialistas podres. Ele arranca do ente uma forma do ser. E tudo ele sabe ser capaz de dobrar. Dobra novamente as mangas que costura e agora recomeça sua mais bela atividade em outros entes, outros solipsistas, outras especialidades. E o ser sempre cochicha com amor e generosidade no seu ouvido que ele é uma colcha de retalhos desapercebida.
Jayme Mathias
vivisseccao.blogspot.com