domingo, 26 de julho de 2020
De um trecho de A vila dos suicidas - Romance inédito
domingo, 19 de julho de 2020
Julho do leitor: Aquela tal de felicidade
domingo, 12 de julho de 2020
Julho do Leitor: A Loteria que se deu e nunca ganhei
domingo, 5 de julho de 2020
Julho do leitor: Aquilo foram gritos ou gemidos?

Para quem a marginalização e os infortúnios?
Ah, intolerável sujeito da ação maligna, que tanto bate até que fura! Se fura, é porque também mata. E matou.
E essa desproporcional força policial? Jamais razoável.
Por isso eu ouço, tu ouves, vós ouvis e nós ouvimos...
Os ais de fulano, os ais de sicrano e os ais de beltrano, são todos ais negros... Há pouco mataram mais um irmão nesse globo terrestre, Navio Negreiro... Ouçam, por favor! Um instante de silêncio para refletir! Foi-se mais um. Outro abatido, mais um negro morto nessa guerra que segrega e perdura. Dessa vez, foram os ais de George Floyd... Mas e amanhã? Últimos suspiros!... Golpe fatal em outro preto.
Parece interminável essa bruteza, estrutura normalizada entre sociáveis pessoas de bem, respeitáveis cidadãos, justos homens que ferem e matam. Difícil, depois disso tudo, cicatrizar tal ferida e restabelecer a paz de espírito... Daí, tudo o que sobra é ressentimento, marcas profundas da injustiça sofrida... Ferida aberta que gera mais violência, morte e sofrimento. Um punhado de desumanidade e desrespeito pode pôr tudo a perder. Todavia, o que se perdeu, novamente, foi mais uma vida negra.Ah, amargo preconceito!
Ah, odiosa discriminação!
Tragada foi a vida pelo preconceito e pelo racismo. Onde está ó paz? E tu ó amor? Não há paz! Tão pouco amor! Prevalece o ódio em insultos e violências:
“o quadro negro”, “a ovelha negra da família”, “tinha que ser preto mesmo”. E tome gritos, olhares atravessados, risinhos com ar de superioridade, pauladas, pontapés, e tiros, muitos tiros... Alguns perdidos. Isso, perdidos!
Arde-se em ódio aberto e em ódio disfarçado, no pensar, falar e agir.
O racismo, ah...! Esse é alvo como a neve. Velada linguagem, de total e sutil violência racial ao longo dos séculos.

E cada vez mais empolado em sua roupagem sofisticada e institucionalizada, resguardada por uma minoria que pensa ser dona do mundo, ela é destituída de solidariedade, compaixão e, principalmente, respeito para com o outro.
– Ei, cala a boca, deixa de “mimimi”!
– Parece “mimimi”, meu amigo?
E ginga, e gesticula e enfrenta com o intelecto e a força física que tem.
– É “mimimi”, porra!
E pow! Pow! Pow! Carteirada sobrou.
– Quão poderoso parece ser! E quão importante se acha.
– Ah, é?
Dizia o moço em tom de deboche, mas sem saber ao certo como contra-argumentar. Assim, nada se resolve... O momento fica tenso e confuso... E pow! Pow! Pow! Acabou.
E enfim, ceifada vai sendo as ovelhas negras apenas por serem o que são
Apesar disso tudo, resistem, pois são, e sempre serão, o que quiserem ser.
Valterlan Tomaz Correia
segunda-feira, 29 de junho de 2020
extremo
sábado, 27 de junho de 2020
Julho do leitor
Como alguns leitores se interessaram pela nossa escrita, pelo conteúdo do blog e querem também espaço para suas ideias e sentimentos, a gente decidiu abrir esse espaço de produção de pensamentos dos leitores.
Júlio César Dantas
Paulo Victor de Albuquerque
domingo, 21 de junho de 2020
Lete
Você sabe quando está sonhando? Já teve um sonho tão longo que se perdia na duração de seus acontecimentos? Você nunca sabe quando começa, às vezes desperta no fim, noutras é consumido pela dúvida se realmente tudo não foi uma fantasia, se aquela lembrança era real. Conversando com os meninos do blog perguntei o que eles achavam do mundo onírico, quais suas impressões. O Júlio me falou sobre a relação do sonho com o inconsciente, como sua força se manifesta logo quando vamos dormir ou quando estamos perto de acordar. Falava ainda sobre as várias emoções intensas que temos quando sonhamos, o quanto criamos histórias fantasiosas e absurdas. Completou dizendo como ficamos vulneráveis ao julgamento crítico, aceitando o desenrolar dos episódios que se acumulam sem nenhum juízo analítico. O Jayme exemplificou as várias sensações bizarras que vivenciou no seu mundo onírico. Recordou como é difícil relembrar os detalhes dos seus delírios mentais. Apontou o fenômeno do sonho como materialização dos desejos inconscientes, toda obscuridade da libido humana elevada à superfície, o que fazia das fantasias uma transcrição sensível dos desejos, não uma tradução linguística através de imagens representativas.
Terminei de ouvir os áudios. O celular estava com 20%. “Tenho que passar menos tempo no whatsapp”. Olhei pro lado. A Suely estava lá. Não percebi. Tive que fazer as compras. A barriga inquieta de fome. Tentei adivinhar o horário pelo ponteiro do sol. Confirmei no celular que estava errado uns trinta e poucos minutos. Peguei a chave do carro no quarto. A máscara no armário. Carteira no birô. Beijei-a na sala. Maçaneta. Carro. Volante. Portão. Depois de cinco esquinas desci no mercantil. O carro refletido na vidraçaria. Portal de imagens entre o interior e exterior do firmamento. Mistura de mundos.
A cabeça de uma cachorra na janela do carro.
Álcool nas mãos. Os olhos falam. O que dirá o resto do corpo?
Uma criança corre entre as lacunas.
As pessoas mantêm distância. Espaço permutado. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar.
Bolas de encher flutuando.
A cada prateleira o vir a ser da mesma sensação, “acho que já comprei isso, devia ter anotado”. No caixa, sacolas e débito. “Acho que já estive aqui”.
Cabeça da gata na janela.
Olhei pro lado. A Suely estava lá. Bilhete na mão. “Não esquece a lista das compras”.
Paulo Victor de Albuquerque Silva
